Lesão do manguito rotador
Atualizado: há 4 dias

O manguito rotador é o conjunto de quatro tendões que estabiliza e movimenta o ombro, e sua lesão é a causa mais frequente de dor no ombro em adultos acima dos 40 anos. Nem toda lesão exige cirurgia, e o tratamento depende do tipo de ruptura, do tendão acometido e da perda de função.
O que é o manguito rotador
Quatro músculos saem da escápula e terminam em tendões que envolvem a cabeça do úmero: supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor. Juntos eles mantêm a cabeça do úmero centrada enquanto o braço se move, e respondem pela elevação e pela rotação do ombro.
A lesão pode ser degenerativa, quando o tendão se desgasta ao longo dos anos, ou traumática, após queda ou esforço súbito. O supraespinal é o mais acometido, porque passa por um espaço estreito entre o acrômio e a cabeça do úmero, onde sofre atrito repetido.
Tendinopatia, ruptura parcial e ruptura completa são estágios diferentes e pedem condutas diferentes. Encontrar uma lesão na ressonância não significa, sozinho, indicação de cirurgia. O achado precisa ser lido junto com o exame físico, a força e a limitação que você sente no dia a dia.
Sintomas mais comuns
Dor na face lateral do ombro, que às vezes desce pela parte superior do braço.
Arco doloroso entre 60 e 120 graus de elevação, com alívio acima e abaixo dessa faixa.
Dor noturna ao deitar sobre o lado afetado, com despertares durante a noite.
Perda de força para elevar o braço ou sustentar peso afastado do corpo.
Dificuldade em gestos do dia a dia como pentear o cabelo, vestir casaco ou alcançar as costas.
Estalido ou sensação de travamento durante o movimento do ombro.
Quando procurar avaliação
Perda súbita e completa da força para elevar o braço após uma queda. Procure avaliação em dias.
Dor que persiste por mais de três a quatro semanas sem sinal de melhora.
Perda de força progressiva, com dificuldade crescente para manter o braço elevado.
Dor que interrompe o sono de forma recorrente e já atrapalha o trabalho.
Como é feito o diagnóstico
A avaliação começa pela história dos sintomas e pelo exame físico, com testes específicos para cada um dos quatro tendões. É o exame físico que orienta a suspeita e define quais imagens são realmente necessárias.
A radiografia mostra o formato do acrômio, calcificações e a posição da cabeça do úmero. A ultrassonografia e a ressonância magnética mostram o tendão em si, o tamanho da ruptura, o grau de retração e a degeneração gordurosa do músculo. Esses dois últimos dados pesam bastante na escolha da conduta.
Opções de tratamento
Conduta conservadora
Fisioterapia dirigida ao reequilíbrio da musculatura escapular e do manguito, ajuste de carga e de gesto, analgesia quando indicada e, em casos selecionados, infiltração guiada por imagem para reduzir a dor e permitir a reabilitação. Boa parte das lesões degenerativas responde bem a esse caminho, com controle da dor e recuperação da função.
Conduta cirúrgica
Considerada em ruptura traumática, em ruptura completa com perda de força e nos casos em que o tratamento conservador bem conduzido não trouxe resultado. O reparo é feito por via artroscópica, com reinserção do tendão no úmero por meio de âncoras. O tendão leva cerca de três meses para cicatrizar nessa posição, e a reabilitação segue etapas definidas ao longo desse período.


Perguntas frequentes
Lesão do manguito rotador precisa de cirurgia?
Nem sempre. Boa parte das lesões degenerativas é tratada sem cirurgia, com bom controle da dor e recuperação da função. A indicação cirúrgica pesa o tipo de ruptura, o tamanho, a perda de força, o tempo de evolução e a resposta ao tratamento conservador bem conduzido.
A lesão pode cicatrizar sozinha?
O tendão rompido não volta a se unir ao osso espontaneamente. O que pode melhorar sem cirurgia é a dor e a função, por compensação da musculatura ao redor. Parte das rupturas aumenta com o tempo, e é por isso que mesmo o tratamento conservador pede acompanhamento.
Posso fazer musculação com lesão do manguito rotador?
Na maioria dos casos sim, com ajustes. Exercícios acima da linha do ombro e cargas altas em elevação lateral costumam ser os primeiros a sair. Dor que persiste após o treino ou perda de controle do movimento são sinais de que a carga está acima do que o tendão suporta hoje.
Quanto tempo leva a recuperação depois da cirurgia?
O tendão leva cerca de três meses para cicatrizar na posição em que foi reinserido, e a reabilitação acompanha esse prazo em etapas. O retorno a atividades de força e a esportes de arremesso é mais tardio e varia com o tamanho da ruptura e a qualidade do tendão.
Sobre o autor
Dr. Lucas Fiori Ribas, ortopedista e traumatologista com atuação em cirurgia do ombro e cotovelo. CRM-SP 201073, RQE 104331. Formação na Santa Casa de São Paulo, PUC-SP e Instituto NAEON. Atendimento particular em Pinheiros, São Paulo.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação individual.


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